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    <title>bagatela</title>
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    <description>. not&#237;cias de foro &#237;ntimo .</description>
    <language>pt-br</language>
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    <pubDate>Fri, 06 Nov 2009 00:28:16 GMT</pubDate>
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    <itunes:author>. leandro . </itunes:author>
    <itunes:summary>. meu poema &#233; um tumulto, um alarido: basta apurar o ouvido .</itunes:summary>
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      <title>contratempo</title>
      <description>fica parado &#224; porta e eu nem vejo, estou de costas fazendo coisas como escrever, limpar cinzeiros ou olhar o c&#233;u pela janela. fica parado &#224; porta por uma por&#231;&#227;o de tempo, e eu nem vejo, mas dura pouco.

em seguida algum toque quente como um olhar fixo come&#231;a a me queimar a nuca, ent&#227;o abandono o que estou fazendo, seja o que for, e n&#227;o sei bem se me volto lenta ou rapidamente, para surpreend&#234;-lo no momento exato de baixar os olhos e afastar a m&#227;o apoiada na parede, como se rec&#233;m chegasse e n&#227;o estivesse parado ali uma por&#231;&#227;o de tempo, olhando.

sei que est&#225; de azul, ou verde ou branco, talvez os tr&#234;s juntos, talvez outros ainda, talvez nenhum: mas me volto r&#225;pida ou lentamente, e nesse momento qualquer coisa que tenho entre as m&#227;os cai ao ch&#227;o, e antes de dizermos qualquer coisa h&#225; a necessidade quase milenar de curvar-se para apanhar o objeto ca&#237;do, um livro, um cigarro, provavelmente uma estrela.

e s&#243; depois ou durante o tempo em que v&#234;m subindo no ar as m&#227;os douradas, segurando essa coisa qualquer, &#233; que nos olhamos e come&#231;o a entrar no mar sem medo antigo, e pela primeira vez a &#225;gua n&#227;o parece nem fria nem escura, nem arde nos olhos quando mergulho. mergulho fundo para voltar em seguida &#224; tona, mas n&#227;o consigo, qualquer coisa como algas ou ra&#237;zes ou peixes ou mesmo estrelas me prendem a esse fundo de fogo claro. e me debato sem vontade, sabendo que al&#233;m da superf&#237;cie h&#225; um dia esmaecido e que ainda &#233; outono.

&lt;i&gt;caio fernando abreu em "qualquer coisa" . porto alegre, 1973 .&lt;/i&gt;

* &lt;i&gt;para &lt;a href="http://suplicarouca.blogspot.com"&gt;tamara&lt;/a&gt;, que me iluminou este texto e muitas coisas mais.&lt;/i&gt;
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      <pubDate>Thu, 20 Dec 2007 16:43:43 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>fica parado &#224; porta e eu nem vejo, estou de costas fazendo coisas como escrever, limpar cinzeiros ou olhar o c&#233;u pela janela. fica parado &#224; porta por uma por&#231;&#227;o de tempo, e eu nem vejo, mas dura pouco.

em seguida algum toque quente como um olhar fixo come&#231;a a me queimar a nuca, ent&#227;o abandono o que estou fazendo, seja o que for, e n&#227;o sei bem se me volto lenta ou rapidamente, para surpreend&#234;-lo no momento exato de baixar os olhos e afastar a m&#227;o apoiada na parede, como se rec&#233;m chegasse e n&#227;o estivesse parado ali uma por&#231;&#227;o de tempo, olhando.

sei que est&#225; de azul, ou verde ou branco, talvez os tr&#234;s juntos, talvez outros ainda, talvez nenhum: mas me volto r&#225;pida ou lentamente, e nesse momento qualquer coisa que tenho entre as m&#227;os cai ao ch&#227;o, e antes de dizermos qualquer coisa h&#225; a necessidade quase milenar de curvar-se para apanhar o objeto ca&#237;do, um livro, um cigarro, provavelmente uma estrela.

e s&#243; depois ou durante o tempo em que v&#234;m subindo no ar as m&#227;os douradas, segurando essa coisa qualquer, &#233; que nos olhamos e come&#231;o a entrar no mar sem medo antigo, e pela primeira vez a &#225;gua n&#227;o parece nem fria nem escura, nem arde nos olhos quando mergulho. mergulho fundo para voltar em seguida &#224; tona, mas n&#227;o consigo, qualquer coisa como algas ou ra&#237;zes ou peixes ou mesmo estrelas me prendem a esse fundo de fogo claro. e me debato sem vontade, sabendo que al&#233;m da superf&#237;cie h&#225; um dia esmaecido e que ainda &#233; outono.

caio fernando abreu em "qualquer coisa" . porto alegre, 1973 .

* para tamara, que me iluminou este texto e muitas coisas mais.
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    </item>
    <item>
      <title>amor quando acontece</title>
      <description>o que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda p&#233;rola, essa ci&#234;ncia
sublime e formid&#225;vel, mas herm&#233;tica,

essa total explica&#231;&#227;o da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois t&#227;o esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... v&#234;, contempla,
abre teu peito para agasalh&#225;-lo

&lt;i&gt;fragmento de "a m&#225;quina do mundo", poema de carlos drummond de andrade em "claro enigma" . rio, 1951&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Tue, 25 Sep 2007 01:00:06 GMT</pubDate>
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      <dc:creator>. leandro . </dc:creator>
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      <itunes:summary>o que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
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e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda p&#233;rola, essa ci&#234;ncia
sublime e formid&#225;vel, mas herm&#233;tica,

essa total explica&#231;&#227;o da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois t&#227;o esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... v&#234;, contempla,
abre teu peito para agasalh&#225;-lo

fragmento de "a m&#225;quina do mundo", poema de carlos drummond de andrade em "claro enigma" . rio, 1951</itunes:summary>
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    <item>
      <title>pegue sua astronave e me encontre no futuro</title>
      <description>&lt;img src="http://bagatela.podOmatic.com/mymedia/thumb/32204/0x0_655956.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;orgulhosamente, oito epis&#243;dios desta bagatela est&#227;o integrando a exposi&#231;&#227;o &lt;i&gt;blooks . letras na rede&lt;/i&gt;, no instituto oi futuro, rio de janeiro. a mostra re&#250;ne diferentes flex&#245;es da pr&#225;tica liter&#225;ria  que est&#227;o tomando conta do fant&#225;stico mundo da internet.

quem &#233; esperto corre atr&#225;s do bonde no outro palco, o pirot&#233;cnico:
http://fogo-de-artificio.blogspot.com
</description>
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      <pubDate>Tue, 11 Sep 2007 17:30:11 GMT</pubDate>
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quem &#233; esperto corre atr&#225;s do bonde no outro palco, o pirot&#233;cnico:
http://fogo-de-artificio.blogspot.com
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    <item>
      <title>cata de zeus</title>
      <description>&lt;b&gt;. uma busca .&lt;/b&gt;

de teus movimentos nada afirmo, pois deles nada sei. apenas pressinto um gigantesco giro. sou cego aos teus des&#237;gnios - deles nunca pude entrever a menor parte. do teu rosto antigo s&#243; me restou uma sombra suja, rascunhada, que guardo dentro de uma gaveta de pap&#233;is. o teu nome n&#227;o me foi revelado. o teu corpo &#233; arcaico, eu sei, mas nunca pude toc&#225;-lo. ainda que eu deseje com for&#231;a, ele n&#227;o se mostra. ou&#231;o not&#237;cias do teu esplendor. dizem que perambulas por a&#237; seguido por um s&#233;quito. dizem que habitas um templo e que tens um oponente terr&#237;fico. mas nada sei dos teus roteiros, n&#227;o posso seguir-te em teus p&#233;riplos. e tampouco tenho not&#237;cias do teu paradeiro. sei apenas, por advinha&#231;&#227;o, que &#233; imenso o teu reinado e que os teus bra&#231;os s&#227;o do tamanho de cordilheiras e que com apenas um passo cruzas um oceano e que os teus olhos emitem uma luz t&#227;o forte que fulmina qualquer um que se atrever a te olhar de frente. e est&#225;s aqui, t&#227;o perto, mas me foges quando estendo a m&#227;o. nada sei dos teus trabalhos, nada sei dos teus ritmos. eu n&#227;o concordo com teus mandamentos. mas desejo com ardor a tua vinda. disseram certa vez que estavas morto. muitos creram, muitos confirmaram. mas sei que tens o curioso dom de sobreviver &#224; tua pr&#243;pria morte. e sei que tens um poder insidioso capaz de se infiltrar no cora&#231;&#227;o dos homens. &#233;s sorrateiro, c&#237;nico e dissimulado. est&#225;s sempre onde n&#227;o te suspeitam, mostras sempre o teu poder onde ele n&#227;o &#233; necess&#225;rio. e est&#225;s aqui, ao meu lado, como uma chama invis&#237;vel ou mesmo dentro de minha carne, como um habitante intruso. e me consomes por dentro, escorragas para o meu interior quando estou distra&#237;do, operas em meu peito arranjos que desconhe&#231;o, trabalhas em mim na surdina, como um secreto oper&#225;rio. &#233;s refulgente, mas n&#227;o consigo ver a tua luz. &#233;s imenso, mas meus olhos s&#227;o pequenos demais para abarcar-te. &#233;s violento e forte - e eu sou uma criatura t&#227;o mi&#250;da. sou vacilante enquanto &#233;s firme; sou temeroso enquanto &#233;s pura coragem. eu tento agarrar teu corpo em sonhos, teu corpo que &#233; feito de magma e rocha vulc&#226;nica, teu corpo que &#233; misturado com pedras, que &#233; um corpo de galhos, de h&#250;mus, em outras horas um corpo de tit&#226;nio. eu tento acompanhar um v&#244;o teu mas tuas alturas s&#227;o vertiginosas. eu tento navegar contigo em mares, mas n&#227;o h&#225; b&#250;ssola que d&#234; conta dos teus itiner&#225;rios. eu tento arrancar de ti uma palavra mas tua l&#237;ngua &#233; feita de grunhidos, de trinados, de trov&#245;es. sei que est&#225;s aqui, escuto uns ecos, recebo press&#225;gios. mas nunca te dignaste a aparecer em minha casa, mesmo sabendo do meu endere&#231;o completo. e nunca me enviaste uma carta, nem mesmo um bilhete me escreveste, nada. eu n&#227;o desisto f&#225;cil e tento atrair a tua presen&#231;a com mantras, ladainhas e cantilenas. e procuro produzir em mim um sil&#234;ncio t&#227;o fundo que de dentro dele possa emergir a tua voz. e respiro de forma ritmada e lenta para que todo o meu corpo fique iluminado. mas n&#227;o vens, &#233;s teimoso, &#233;s &#225;rduo, n&#227;o vens enquanto eu te procuro e s&#243; te mostras quando esque&#231;o de te procurar.

&lt;i&gt;ygor raduy em &lt;a href="http://ygor.tipos.com.br/arquivo/2006/12/04/uma-busca"&gt;a ma&#231;&#227; no escuro&lt;/a&gt; . 2006 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sun, 22 Jul 2007 21:39:29 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
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      <dc:creator>. leandro . </dc:creator>
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de teus movimentos nada afirmo, pois deles nada sei. apenas pressinto um gigantesco giro. sou cego aos teus des&#237;gnios - deles nunca pude entrever a menor parte. do teu rosto antigo s&#243; me restou uma sombra suja, rascunhada, que guardo dentro de uma gaveta de pap&#233;is. o teu nome n&#227;o me foi revelado. o teu corpo &#233; arcaico, eu sei, mas nunca pude toc&#225;-lo. ainda que eu deseje com for&#231;a, ele n&#227;o se mostra. ou&#231;o not&#237;cias do teu esplendor. dizem que perambulas por a&#237; seguido por um s&#233;quito. dizem que habitas um templo e que tens um oponente terr&#237;fico. mas nada sei dos teus roteiros, n&#227;o posso seguir-te em teus p&#233;riplos. e tampouco tenho not&#237;cias do teu paradeiro. sei apenas, por advinha&#231;&#227;o, que &#233; imenso o teu reinado e que os teus bra&#231;os s&#227;o do tamanho de cordilheiras e que com apenas um passo cruzas um oceano e que os teus olhos emitem uma luz t&#227;o forte que fulmina qualquer um que se atrever a te olhar de frente. e est&#225;s aqui, t&#227;o perto, mas me foges quando estendo a m&#227;o. nada sei dos teus trabalhos, nada sei dos teus ritmos. eu n&#227;o concordo com teus mandamentos. mas desejo com ardor a tua vinda. disseram certa vez que estavas morto. muitos creram, muitos confirmaram. mas sei que tens o curioso dom de sobreviver &#224; tua pr&#243;pria morte. e sei que tens um poder insidioso capaz de se infiltrar no cora&#231;&#227;o dos homens. &#233;s sorrateiro, c&#237;nico e dissimulado. est&#225;s sempre onde n&#227;o te suspeitam, mostras sempre o teu poder onde ele n&#227;o &#233; necess&#225;rio. e est&#225;s aqui, ao meu lado, como uma chama invis&#237;vel ou mesmo dentro de minha carne, como um habitante intruso. e me consomes por dentro, escorragas para o meu interior quando estou distra&#237;do, operas em meu peito arranjos que desconhe&#231;o, trabalhas em mim na surdina, como um secreto oper&#225;rio. &#233;s refulgente, mas n&#227;o consigo ver a tua luz. &#233;s imenso, mas meus olhos s&#227;o pequenos demais para abarcar-te. &#233;s violento e forte - e eu sou uma criatura t&#227;o mi&#250;da. sou vacilante enquanto &#233;s firme; sou temeroso enquanto &#233;s pura coragem. eu tento agarrar teu corpo em sonhos, teu corpo que &#233; feito de magma e rocha vulc&#226;nica, teu corpo que &#233; misturado com pedras, que &#233; um corpo de galhos, de h&#250;mus, em outras horas um corpo de tit&#226;nio. eu tento acompanhar um v&#244;o teu mas tuas alturas s&#227;o vertiginosas. eu tento navegar contigo em mares, mas n&#227;o h&#225; b&#250;ssola que d&#234; conta dos teus itiner&#225;rios. eu tento arrancar de ti uma palavra mas tua l&#237;ngua &#233; feita de grunhidos, de trinados, de trov&#245;es. sei que est&#225;s aqui, escuto uns ecos, recebo press&#225;gios. mas nunca te dignaste a aparecer em minha casa, mesmo sabendo do meu endere&#231;o completo. e nunca me enviaste uma carta, nem mesmo um bilhete me escreveste, nada. eu n&#227;o desisto f&#225;cil e tento atrair a tua presen&#231;a com mantras, ladainhas e cantilenas. e procuro produzir em mim um sil&#234;ncio t&#227;o fundo que de dentro dele possa emergir a tua voz. e respiro de forma ritmada e lenta para que todo o meu corpo fique iluminado. mas n&#227;o vens, &#233;s teimoso, &#233;s &#225;rduo, n&#227;o vens enquanto eu te procuro e s&#243; te mostras quando esque&#231;o de te procurar.

ygor raduy em a ma&#231;&#227; no escuro . 2006 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>sadismo (e a po&#233;tica do remorso)</title>
      <description>&lt;img src="http://bagatela.podOmatic.com/mymedia/thumb/32204/0x0_655957.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;se tivessem liberdade de perseguir seus objetivos naturais, os instintos b&#225;sicos do homem seriam incompat&#237;veis com toda a associa&#231;&#227;o e preserva&#231;&#227;o duradoura: destruiriam at&#233; aquilo a que se unem ou em que se conjugam.&lt;/i&gt;

herbert marcuse em "eros e civiliza&#231;&#227;o" . boston, 1955 .

&lt;b&gt;. . . . .&lt;/b&gt;

&lt;b&gt;. fragmento do primeiro cap&#237;tulo .&lt;/b&gt;

[...]

subitamente a palma crispou-se, mas n&#227;o o rosto perfeito, que permaneceu sereno, maquiado com gradua&#231;&#245;es do rosa ao azul. imediatamente a mulher mais bela do mundo acordou, tr&#234;mula de medo. o rosto adquiriu express&#227;o. os c&#237;lios naturais, que pareciam posti&#231;os, pelo tamanho e curvatura, sombreavam olhos escancarados. acabara de conhecer, em sonho, um m&#233;dico obeso, vestido a rigor, que pendurava sua cartola, cal&#231;ava luvas brancas de borracha, aproximava-se dela, estendida sobre imensos flocos de algod&#227;o e, com um bisturi, abria-lhe o peito: aparecia - em lugar do cora&#231;&#227;o - um complicado mecanismo de relojoaria. era uma boneca mec&#226;nica e quebrada, e n&#227;o uma mulher, aquela que ali jazia.

um profundo suspiro de al&#237;vio deu fim ao pesadelo. nada havia a temer, todos os perigos eram apenas imagin&#225;rios. olhou em volta e tudo era novo na alcova &#224; meia-luz, a noite de n&#250;pcias ainda n&#227;o cedera a vez ao dia, mas ao seu lado n&#227;o havia ningu&#233;m. perto de uma das m&#227;os estava o espelho de cabo lavrado em prata, onde seus l&#225;bios se refletiram pintados, parecendo retocados havia instantes. lembrava-se de pouca coisa: um brinde com o marido, suas t&#234;mporas grisalhas ou brancas, o mon&#243;culo examinando-a a cada instante, uma ta&#231;a quadrada que ela n&#227;o sabia como pegar, o n&#233;ctar fresco e nada mais.

se a maquiagem estava intacta, era porque o rosto havia sido respeitado... resolveu passar a m&#227;o direita pelo resto do corpo. estendeu e recolheu-a quase imediatamente, sua m&#227;o esquerda, menos sens&#237;vel, pareceu-lhe a mais adequada para tal inspe&#231;&#227;o. logo notou um trecho de pele ardida pouco acima da clav&#237;cula. sobre um seio, tr&#234;s ou quatro marcas de dentes em arco, que j&#225; quase n&#227;o do&#237;am. seu ventre, em compensa&#231;&#227;o, n&#227;o denunciava nenhum assalto, mas o baixo ventre, sim: &#250;mido, inflamado, com um &#237;ntimo dilaceramento.

&lt;i&gt;manuel puig em "p&#250;bis angelical" . buenos aires, 1979 .
+ madame de tourvel (michelle pfeifer) e vicomte de valmont (john malkovich) em "liga&#231;&#245;es perigosas", de stephen frears . 1989 .
+ antony and the johnsons . "man is the baby" .
+ nesa paripovic . "primeri analiticke skulpture (s&#233;rie 20-teilige)", 1978 . moca, belgrado .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sun, 20 May 2007 16:19:35 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-05-20</dcterms:created>
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      <dc:creator>. leandro . </dc:creator>
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      <itunes:summary>se tivessem liberdade de perseguir seus objetivos naturais, os instintos b&#225;sicos do homem seriam incompat&#237;veis com toda a associa&#231;&#227;o e preserva&#231;&#227;o duradoura: destruiriam at&#233; aquilo a que se unem ou em que se conjugam.

herbert marcuse em "eros e civiliza&#231;&#227;o" . boston, 1955 .

. . . . .

. fragmento do primeiro cap&#237;tulo .

[...]

subitamente a palma crispou-se, mas n&#227;o o rosto perfeito, que permaneceu sereno, maquiado com gradua&#231;&#245;es do rosa ao azul. imediatamente a mulher mais bela do mundo acordou, tr&#234;mula de medo. o rosto adquiriu express&#227;o. os c&#237;lios naturais, que pareciam posti&#231;os, pelo tamanho e curvatura, sombreavam olhos escancarados. acabara de conhecer, em sonho, um m&#233;dico obeso, vestido a rigor, que pendurava sua cartola, cal&#231;ava luvas brancas de borracha, aproximava-se dela, estendida sobre imensos flocos de algod&#227;o e, com um bisturi, abria-lhe o peito: aparecia - em lugar do cora&#231;&#227;o - um complicado mecanismo de relojoaria. era uma boneca mec&#226;nica e quebrada, e n&#227;o uma mulher, aquela que ali jazia.

um profundo suspiro de al&#237;vio deu fim ao pesadelo. nada havia a temer, todos os perigos eram apenas imagin&#225;rios. olhou em volta e tudo era novo na alcova &#224; meia-luz, a noite de n&#250;pcias ainda n&#227;o cedera a vez ao dia, mas ao seu lado n&#227;o havia ningu&#233;m. perto de uma das m&#227;os estava o espelho de cabo lavrado em prata, onde seus l&#225;bios se refletiram pintados, parecendo retocados havia instantes. lembrava-se de pouca coisa: um brinde com o marido, suas t&#234;mporas grisalhas ou brancas, o mon&#243;culo examinando-a a cada instante, uma ta&#231;a quadrada que ela n&#227;o sabia como pegar, o n&#233;ctar fresco e nada mais.

se a maquiagem estava intacta, era porque o rosto havia sido respeitado... resolveu passar a m&#227;o direita pelo resto do corpo. estendeu e recolheu-a quase imediatamente, sua m&#227;o esquerda, menos sens&#237;vel, pareceu-lhe a mais adequada para tal inspe&#231;&#227;o. logo notou um trecho de pele ardida pouco acima da clav&#237;cula. sobre um seio, tr&#234;s ou quatro marcas de dentes em arco, que j&#225; quase n&#227;o do&#237;am. seu ventre, em compensa&#231;&#227;o, n&#227;o denunciava nenhum assalto, mas o baixo ventre, sim: &#250;mido, inflamado, com um &#237;ntimo dilaceramento.

manuel puig em "p&#250;bis angelical" . buenos aires, 1979 .
+ madame de tourvel (michelle pfeifer) e vicomte de valmont (john malkovich) em "liga&#231;&#245;es perigosas", de stephen frears . 1989 .
+ antony and the johnsons . "man is the baby" .
+ nesa paripovic . "primeri analiticke skulpture (s&#233;rie 20-teilige)", 1978 . moca, belgrado .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>pt sauda&#231;&#245;es</title>
      <description>&lt;b&gt;. don't [let] me be misunderstood .&lt;/b&gt;

[...]

viver de dedu&#231;&#227;o, &#233; assim que eu vivo [n&#227;o &#233;, menina], &#224; espreita dos fatos, &#224; beira dos atos, como se tudo estivesse suspenso s&#243; pra assistir &#224; dan&#231;a fora de moda que eu te propus, um segundo em que tudo parasse de rodar pra acompanhar o movimento m&#237;nimo da vontade, uma pausa para o encanto que n&#227;o coube na tua agenda.

e eu, presa dos meus v&#237;cios, v&#237;tima do discurso, me embrulhando num papel todo novo pra te dar, eu te vi ter pressa, essa pressa sem dire&#231;&#227;o que chamamos de curiosidade, essa necessidade infantil e t&#227;o natural de saber o que o mundo tem a oferecer. eu vi o teu futuro na minha frente e vi meus bra&#231;os serem pouca r&#233;dea pros teus m&#250;sculos sadios e sem quest&#227;o.

eu vi como h&#225; muito tempo n&#227;o via a poesia sorrir pra mim. sorri de volta, corri com meu cavalinho pra chuva e achei que assumir o risco era menos rid&#237;culo do que de fato &#233;. eu vi m&#233;trica no teu texto, vi semi&#243;tica nos teus c&#243;digos, vi um encontro onde voc&#234; viu exerc&#237;cio de estilo.

&#233; de perder ilus&#245;es que se vive, menina, de olhar para as evid&#234;ncias sem entrelinhas, nem &#243;culos escuros. eu vou aprendendo com o tempo tudo o que voc&#234; j&#225; sabe de cor.

&lt;i&gt;&#224; moda de &lt;a href="http://fogo-de-artificio.blogspot.com/2007/03/dont-let-me-be-misunderstood.html"&gt;. fogo de artif&#237;cio .&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sun, 22 Apr 2007 22:31:18 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-14</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-04-22</dcterms:created>
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      <itunes:summary>. don't [let] me be misunderstood .

[...]

viver de dedu&#231;&#227;o, &#233; assim que eu vivo [n&#227;o &#233;, menina], &#224; espreita dos fatos, &#224; beira dos atos, como se tudo estivesse suspenso s&#243; pra assistir &#224; dan&#231;a fora de moda que eu te propus, um segundo em que tudo parasse de rodar pra acompanhar o movimento m&#237;nimo da vontade, uma pausa para o encanto que n&#227;o coube na tua agenda.

e eu, presa dos meus v&#237;cios, v&#237;tima do discurso, me embrulhando num papel todo novo pra te dar, eu te vi ter pressa, essa pressa sem dire&#231;&#227;o que chamamos de curiosidade, essa necessidade infantil e t&#227;o natural de saber o que o mundo tem a oferecer. eu vi o teu futuro na minha frente e vi meus bra&#231;os serem pouca r&#233;dea pros teus m&#250;sculos sadios e sem quest&#227;o.

eu vi como h&#225; muito tempo n&#227;o via a poesia sorrir pra mim. sorri de volta, corri com meu cavalinho pra chuva e achei que assumir o risco era menos rid&#237;culo do que de fato &#233;. eu vi m&#233;trica no teu texto, vi semi&#243;tica nos teus c&#243;digos, vi um encontro onde voc&#234; viu exerc&#237;cio de estilo.

&#233; de perder ilus&#245;es que se vive, menina, de olhar para as evid&#234;ncias sem entrelinhas, nem &#243;culos escuros. eu vou aprendendo com o tempo tudo o que voc&#234; j&#225; sabe de cor.

&#224; moda de . fogo de artif&#237;cio .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>peter pan rules</title>
      <description>&lt;b&gt;. poema para encorajar h&#233;lices .&lt;/b&gt;

come&#231;am nos olhos
os passos inseguros
da crian&#231;a

que recebe uma travessa
de vidro para transportar
at&#233; a mesa posta pro almo&#231;o

ela caminha devagar, passo a passo
em suas m&#227;os pesa o compromisso,
e, fr&#225;gil, o mundo inteiro.


&lt;i&gt;bruna beber em &lt;a href="http://badtrip.com.br/cutelaria/2007/01/24/poema-para-encorajar-helices/"&gt;cutelaria &amp; chapelaria&lt;/a&gt; . 2007 .&lt;/i&gt;

&lt;i&gt;* participa&#231;&#227;o especial do &lt;a href="http://aaihnn.podomatic.com"&gt;aaihnn&lt;/a&gt;, o podcast mais conceitual da podosfera.&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sun, 25 Feb 2007 05:20:04 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-19</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-02-25</dcterms:created>
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      <itunes:summary>. poema para encorajar h&#233;lices .

come&#231;am nos olhos
os passos inseguros
da crian&#231;a

que recebe uma travessa
de vidro para transportar
at&#233; a mesa posta pro almo&#231;o

ela caminha devagar, passo a passo
em suas m&#227;os pesa o compromisso,
e, fr&#225;gil, o mundo inteiro.


bruna beber em cutelaria &amp; chapelaria . 2007 .

* participa&#231;&#227;o especial do aaihnn, o podcast mais conceitual da podosfera.</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>eu quero a melodia feita assim</title>
      <description>i am in need of music that would flow 
over my fretful, feeling fingertips,
over my bitter-tainted, trembling lips,
with melody, deep, clear, and liquid-slow
oh, for the healing swaying, old and low,
of some song sung to rest the tired dead,
a song to fall like water on my head,
and over quivering limbs, dream flushed to glow

there is a magic made by melody:
a spell of rest, and quiet breath, and cool
heart, that sinks through fading colors deep
to the subaqueous stillness of the sea,
and floats forever in a moon-green pool,
held in the arms of rhythm and of sleep

&lt;i&gt;elizabeth bishop em "sonnet" . natick, 1928 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Mon, 19 Feb 2007 15:50:14 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-02-19</dcterms:created>
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      <itunes:summary>i am in need of music that would flow 
over my fretful, feeling fingertips,
over my bitter-tainted, trembling lips,
with melody, deep, clear, and liquid-slow
oh, for the healing swaying, old and low,
of some song sung to rest the tired dead,
a song to fall like water on my head,
and over quivering limbs, dream flushed to glow

there is a magic made by melody:
a spell of rest, and quiet breath, and cool
heart, that sinks through fading colors deep
to the subaqueous stillness of the sea,
and floats forever in a moon-green pool,
held in the arms of rhythm and of sleep

elizabeth bishop em "sonnet" . natick, 1928 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>dedicat&#243;ria</title>
      <description>&lt;img src="http://bagatela.podOmatic.com/mymedia/thumb/32204/0x0_655958.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;n&#227;o te equivoques, nathanael, ante o t&#237;tulo brutal que me agradou dar a este livro.

nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que n&#227;o vi, de perfumes que n&#227;o cheirei, de a&#231;&#245;es que n&#227;o cometi &#8211; ou de ti, nathanael, que ainda n&#227;o encontrei &#8211; n&#227;o &#233; por hipocrisia, e essas coisas n&#227;o s&#227;o mais mentirosas do que este nome que te dou, nathanael que me ler&#225;s, ignorando o teu, ainda por surgir.

quando me tiveres lido, joga fora este livro &#8211; e sai. sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua fam&#237;lia, de teu quarto, de teu pensamento. que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele pr&#243;prio &#8211; depois por tudo o mais &#8211; mais do que por ti.

&lt;i&gt;andr&#233; gide em &#8220;os frutos da terra&#8221; . paris, 1927 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Thu, 25 Jan 2007 01:59:03 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-01-25</dcterms:created>
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      <dc:creator>. leandro . </dc:creator>
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      <itunes:summary>n&#227;o te equivoques, nathanael, ante o t&#237;tulo brutal que me agradou dar a este livro.

nele me pus sem arrebiques nem pudor; e se nele falo por vezes de lugares que n&#227;o vi, de perfumes que n&#227;o cheirei, de a&#231;&#245;es que n&#227;o cometi &#8211; ou de ti, nathanael, que ainda n&#227;o encontrei &#8211; n&#227;o &#233; por hipocrisia, e essas coisas n&#227;o s&#227;o mais mentirosas do que este nome que te dou, nathanael que me ler&#225;s, ignorando o teu, ainda por surgir.

quando me tiveres lido, joga fora este livro &#8211; e sai. sai do que quer que seja e de onde seja, de tua cidade, de tua fam&#237;lia, de teu quarto, de teu pensamento. que o meu livro te ensine a te interessares mais por ti do que por ele pr&#243;prio &#8211; depois por tudo o mais &#8211; mais do que por ti.

andr&#233; gide em &#8220;os frutos da terra&#8221; . paris, 1927 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>da fragilidade</title>
      <description>&lt;b&gt;. discurso ao osso .&lt;/b&gt;

muito antes de ser uma circunst&#226;ncia f&#237;sica ou uma quest&#227;o de estilo, a magreza &#233; um tipo de higiene, um c&#243;digo de &#233;tica, um lugar de onde se percebe o mundo. os magros vivem sob o eterno risco de um impacto: choques dom&#233;sticos tomam propor&#231;&#245;es impensadas, a lota&#231;&#227;o dos transportes coletivos preocupa, a experi&#234;ncia do sexo requer educa&#231;&#227;o frente &#224; grosseria el&#225;stica popularizada pelo erotismo comercial.

[...]

a verdade exclusiva desse ente t&#227;o estranho que &#233; o corpo se traduz em quanto menor a dist&#226;ncia entre aquilo que aparentamos ser e aquilo que n&#227;o nos deixa mentir quem somos, em quanto menor a guarda entre a superf&#237;cie e o osso &#8211; c&#225;lcio-sum&#225;rio dos danos e gozos da vida.

&lt;i&gt;&#224; guisa de &lt;a href="http://fogo-de-artificio.blogspot.com/2006/11/discurso-ao-osso_19.html"&gt;. fogo de artif&#237;cio .&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Tue, 16 Jan 2007 00:24:17 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-19</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-01-16</dcterms:created>
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      <dc:creator>. leandro . </dc:creator>
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      <itunes:summary>. discurso ao osso .

muito antes de ser uma circunst&#226;ncia f&#237;sica ou uma quest&#227;o de estilo, a magreza &#233; um tipo de higiene, um c&#243;digo de &#233;tica, um lugar de onde se percebe o mundo. os magros vivem sob o eterno risco de um impacto: choques dom&#233;sticos tomam propor&#231;&#245;es impensadas, a lota&#231;&#227;o dos transportes coletivos preocupa, a experi&#234;ncia do sexo requer educa&#231;&#227;o frente &#224; grosseria el&#225;stica popularizada pelo erotismo comercial.

[...]

a verdade exclusiva desse ente t&#227;o estranho que &#233; o corpo se traduz em quanto menor a dist&#226;ncia entre aquilo que aparentamos ser e aquilo que n&#227;o nos deixa mentir quem somos, em quanto menor a guarda entre a superf&#237;cie e o osso &#8211; c&#225;lcio-sum&#225;rio dos danos e gozos da vida.

&#224; guisa de . fogo de artif&#237;cio .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>carne de r&#227;</title>
      <description>&lt;b&gt;. pomo .&lt;/b&gt;

da vida s&#243; t&#234;m subst&#226;ncia
a casca e o caro&#231;o
no meio s&#243; tem amido
embroma&#231;&#245;es do carbono

por&#233;m todo o gosto reside
nessa carne intermedi&#225;ria
sem valor aliment&#237;cio
sem realidade
sem nada

&#233; nela que os dentes encontram
o que os mant&#233;m afiados
com ela &#233; que a l&#237;ngua elabora
a doce palavra


&lt;i&gt;paulo henriques britto em "m&#237;nima l&#237;rica" . rio, 1989 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sat, 16 Dec 2006 15:59:19 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-12-16</dcterms:created>
      <link>http://bagatela.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>. leandro . </dc:creator>
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      <itunes:explicit>no</itunes:explicit>
      <itunes:summary>. pomo .

da vida s&#243; t&#234;m subst&#226;ncia
a casca e o caro&#231;o
no meio s&#243; tem amido
embroma&#231;&#245;es do carbono

por&#233;m todo o gosto reside
nessa carne intermedi&#225;ria
sem valor aliment&#237;cio
sem realidade
sem nada

&#233; nela que os dentes encontram
o que os mant&#233;m afiados
com ela &#233; que a l&#237;ngua elabora
a doce palavra


paulo henriques britto em "m&#237;nima l&#237;rica" . rio, 1989 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>o poema de que somos feitos</title>
      <description>(...)
eu agora mergulho e ascendo como um copo.
trago para cima essa imagem de &#225;gua interna.
- caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu pr&#243;prio impulso,
poema regressando.
tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
tudo morre o seu nome noutro nome.

poema n&#227;o saindo do poder da loucura.
poema com base inconcreta de cria&#231;&#227;o.
ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
porque eu sou uma vida
com furibunda melancolia,
com furibunda concep&#231;&#227;o.
com alguma ironia furibunda.

sou uma devasta&#231;&#227;o inteligente.
com malmequeres fabulosos.
ouro por cima.
a madrugada ou a noite triste
tocadas em trompete.
sou alguma coisa aud&#237;vel,
sens&#237;vel.
um movimento.
cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
ou flores bebendo a jarra.
o sil&#234;ncio estrutural das flores.
e a mesa por baixo.
a sonhar.

&lt;i&gt;herberto helder em "poemacto" . lisboa, 1961 .&lt;/i&gt;

* &lt;i&gt;esta &#233; uma parceria com &lt;a href="http://www.fotolog.net/lentedecontacto"&gt;eug&#233;nia lopes&lt;/a&gt;, uma poeta portuguesa extempor&#226;nea de fernando pessoa que j&#225; mudou a minha vida algumas vezes. &#233; uma poeta com quem eu n&#227;o tenho acordo pr&#233;vio: &#224;s vezes ela traz a m&#250;sica e eu o poema. &#224;s vezes, &#233; na base do vice-versa. para n&#243;s, pouco importa que eles, os poemas e as can&#231;&#245;es, n&#227;o sejam nossos. &#233; assim que os tomamos porque para o risco que nasceram. h&#225; muito tempo ela me trouxe esse golpe de faca do herberto helder e o que fa&#231;o aqui &#233; uma tentativa atrasada de agradec&#234;-la pelo compromisso com o longe e a miragem que est&#225; continuamente me inspirando a assumir.&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Wed, 15 Nov 2006 17:09:08 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>(...)
eu agora mergulho e ascendo como um copo.
trago para cima essa imagem de &#225;gua interna.
- caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu pr&#243;prio impulso,
poema regressando.
tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
tudo morre o seu nome noutro nome.

poema n&#227;o saindo do poder da loucura.
poema com base inconcreta de cria&#231;&#227;o.
ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
porque eu sou uma vida
com furibunda melancolia,
com furibunda concep&#231;&#227;o.
com alguma ironia furibunda.

sou uma devasta&#231;&#227;o inteligente.
com malmequeres fabulosos.
ouro por cima.
a madrugada ou a noite triste
tocadas em trompete.
sou alguma coisa aud&#237;vel,
sens&#237;vel.
um movimento.
cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
ou flores bebendo a jarra.
o sil&#234;ncio estrutural das flores.
e a mesa por baixo.
a sonhar.

herberto helder em "poemacto" . lisboa, 1961 .

* esta &#233; uma parceria com eug&#233;nia lopes, uma poeta portuguesa extempor&#226;nea de fernando pessoa que j&#225; mudou a minha vida algumas vezes. &#233; uma poeta com quem eu n&#227;o tenho acordo pr&#233;vio: &#224;s vezes ela traz a m&#250;sica e eu o poema. &#224;s vezes, &#233; na base do vice-versa. para n&#243;s, pouco importa que eles, os poemas e as can&#231;&#245;es, n&#227;o sejam nossos. &#233; assim que os tomamos porque para o risco que nasceram. h&#225; muito tempo ela me trouxe esse golpe de faca do herberto helder e o que fa&#231;o aqui &#233; uma tentativa atrasada de agradec&#234;-la pelo compromisso com o longe e a miragem que est&#225; continuamente me inspirando a assumir.</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>coisa dos h&#244;mi</title>
      <description>&lt;img src="http://bagatela.podOmatic.com/mymedia/thumb/32204/0x0_780770.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;. route de collision .&lt;/b&gt;

uma carreira s&#243; se termina
com teco bem dado
num gesto pl&#225;stico
num golpe de frente

pra refra&#231;&#227;o do choque
ou absor&#231;&#227;o do impacto
h&#225; peito que se lance
ao campo de combate

cart&#227;o vermelho l&#225; em casa
vira green card


&lt;i&gt;para zinedine zidane,  na final da copa de 2006&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sun, 22 Oct 2006 01:48:00 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>. route de collision .

uma carreira s&#243; se termina
com teco bem dado
num gesto pl&#225;stico
num golpe de frente

pra refra&#231;&#227;o do choque
ou absor&#231;&#227;o do impacto
h&#225; peito que se lance
ao campo de combate

cart&#227;o vermelho l&#225; em casa
vira green card


para zinedine zidane,  na final da copa de 2006</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>bas fonds</title>
      <description>&lt;img src="http://bagatela.podOmatic.com/images/icons/icon_audio.png" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;. rodando a bossinha .&lt;/b&gt;

entre os dias
e horas mar&#237;timas,
descortinadas,
carcomidas

a cidade se desliga
feito vitrolinha

e existe algo
de suspeito,

uma fugaz vulgaridade
teatral

perdida

algo pral&#233;m
do que &#233; corpo,
trabalho,
arte,
vida

existe o sil&#234;ncio das coisas
que n&#227;o precisam ser ditas

a mulher que gratuitamente
me mostra as tetas

s&#243; quer
naturalmente
ser reconhecida

e vai saber

umas duzentas
e quarenta
e tr&#234;s
noites

varadas a assaduras
&amp; biritas


&lt;i&gt;caio carmacho em &lt;a href="http://noutratez.zip.net/"&gt;noutra tez&lt;/a&gt; . 2006 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Thu, 05 Oct 2006 03:39:26 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>. rodando a bossinha .

entre os dias
e horas mar&#237;timas,
descortinadas,
carcomidas

a cidade se desliga
feito vitrolinha

e existe algo
de suspeito,

uma fugaz vulgaridade
teatral

perdida

algo pral&#233;m
do que &#233; corpo,
trabalho,
arte,
vida

existe o sil&#234;ncio das coisas
que n&#227;o precisam ser ditas

a mulher que gratuitamente
me mostra as tetas

s&#243; quer
naturalmente
ser reconhecida

e vai saber

umas duzentas
e quarenta
e tr&#234;s
noites

varadas a assaduras
&amp; biritas


caio carmacho em noutra tez . 2006 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>[c&#234;]toda</title>
      <description>&lt;img src="http://bagatela.podOmatic.com/mymedia/thumb/32204/0x0_655961.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;franzida e obscura como um ilh&#243;s violeta,
ela respira, humilde, entre a relva rociada ainda do amor
que desce a branda rampa das brancas n&#225;degas
at&#233; o cora&#231;&#227;o da greta

filamentos iguais a l&#225;grimas de leite
choraram sob o vento atroz que os arrecada
e os impele atrav&#233;s de marnas arruivadas
at&#233; perderem-se na fenda dos deleites

beijando-lhe a ventosa, o meu sonho o freq&#252;enta
a minha alma, do coito material ciumenta,
qual lacrimal e ninho de solu&#231;os
usa-a

&lt;i&gt;athur rimbaud em "les stupra" . paris, 1923 .&lt;/i&gt;
&lt;i&gt;foto . "amante menguante", de pedro almod&#243;var caballero . madri, 2001 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sat, 16 Sep 2006 20:11:59 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>franzida e obscura como um ilh&#243;s violeta,
ela respira, humilde, entre a relva rociada ainda do amor
que desce a branda rampa das brancas n&#225;degas
at&#233; o cora&#231;&#227;o da greta

filamentos iguais a l&#225;grimas de leite
choraram sob o vento atroz que os arrecada
e os impele atrav&#233;s de marnas arruivadas
at&#233; perderem-se na fenda dos deleites

beijando-lhe a ventosa, o meu sonho o freq&#252;enta
a minha alma, do coito material ciumenta,
qual lacrimal e ninho de solu&#231;os
usa-a

athur rimbaud em "les stupra" . paris, 1923 .
foto . "amante menguante", de pedro almod&#243;var caballero . madri, 2001 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>pelo desterro das cacimbas (das anas)</title>
      <description>&lt;b&gt;. neighborhoods .&lt;/b&gt;

se o mundo n&#227;o fosse
esse aterro de
m&#225;quinas
barbas
pilhas

c&#225;lculos
prazos
e canetas
marca-texto

d&#233;bitos
medos
cl&#225;usulas

fl&#226;mulas
d&#250;vidas
e embalagens
tetrapack

se o mundo n&#227;o fosse
feito de listas

se o mundo n&#227;o fosse
um aterro de babacas
ou se o mundo n&#227;o fosse
um abrangente
e resumido
aterro de sin&#244;nimos

e se essa rua
se essa rua
fosse tua
eu ia me mudar pra l&#225;

&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.badtrip.com.br/cutelaria/"&gt;bruna beber de lima&lt;/a&gt;* em "a fila sem fim dos dem&#244;nios descontentes" . rio, 2006 .

* a melhor poeta que eu conhe&#231;o. eu, e muita gente mais importante do que eu..&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sat, 02 Sep 2006 16:18:09 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
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se o mundo n&#227;o fosse
esse aterro de
m&#225;quinas
barbas
pilhas

c&#225;lculos
prazos
e canetas
marca-texto

d&#233;bitos
medos
cl&#225;usulas

fl&#226;mulas
d&#250;vidas
e embalagens
tetrapack

se o mundo n&#227;o fosse
feito de listas

se o mundo n&#227;o fosse
um aterro de babacas
ou se o mundo n&#227;o fosse
um abrangente
e resumido
aterro de sin&#244;nimos

e se essa rua
se essa rua
fosse tua
eu ia me mudar pra l&#225;

bruna beber de lima* em "a fila sem fim dos dem&#244;nios descontentes" . rio, 2006 .

* a melhor poeta que eu conhe&#231;o. eu, e muita gente mais importante do que eu..</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>batimentos da m&#225;quina</title>
      <description>a escrita &#233; a minha primeira morada de sil&#234;ncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por tr&#225;s das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o &#250;ltimo crime
escrever-te continuamente
areia e mais areia construindo no sangue alt&#237;ssimas paredes de nada

&lt;i&gt;al berto em "doze moradas de sil&#234;ncio" . lisboa, 1979 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Sun, 20 Aug 2006 17:44:21 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-19</dcterms:modified>
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extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o &#250;ltimo crime
escrever-te continuamente
areia e mais areia construindo no sangue alt&#237;ssimas paredes de nada

al berto em "doze moradas de sil&#234;ncio" . lisboa, 1979 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>me chama que eu vou</title>
      <description>&lt;b&gt;. vivinho da silva .&lt;/b&gt;

&#224;s vezes d&#225; vontade de
subverter a ordem
abandonar o script
esquecer a proposta
[como chama isso]
[o pr&#243;prio roteiro]

e fazer da vida
uma not&#237;cia nova</description>
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      <pubDate>Mon, 14 Aug 2006 00:57:08 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
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&#224;s vezes d&#225; vontade de
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[o pr&#243;prio roteiro]

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    </item>
    <item>
      <title>abordando a perseguida</title>
      <description>para quem duvida, irar&#225;, santo amaro e s&#227;o lu&#237;s do maranh&#227;o cabem no mesmo balaio de gato. ou seria gata?

&lt;b&gt;. defini&#231;&#227;o da mo&#231;a .&lt;/b&gt;

como defini-la
quando est&#225; vestida
se ela me desbunda
como se despida?

como defini-la
quando est&#225; desnuda
se ela &#233; viagem
como toda nuvem?

como desnud&#225;-la
quando est&#225; vestida
se est&#225; mais despida
do que quando nua?

como possu&#237;-la
quando est&#225; desnuda
se ela toda &#233; chuva
se ela toda &#233; vulva?

&lt;i&gt;jos&#233; ribamar ferreira gullar em "muitas vozes" . rio, 1999 .&lt;/i&gt;</description>
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      <pubDate>Fri, 11 Aug 2006 10:54:51 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-08-11</dcterms:created>
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. defini&#231;&#227;o da mo&#231;a .

como defini-la
quando est&#225; vestida
se ela me desbunda
como se despida?

como defini-la
quando est&#225; desnuda
se ela &#233; viagem
como toda nuvem?

como desnud&#225;-la
quando est&#225; vestida
se est&#225; mais despida
do que quando nua?

como possu&#237;-la
quando est&#225; desnuda
se ela toda &#233; chuva
se ela toda &#233; vulva?

jos&#233; ribamar ferreira gullar em "muitas vozes" . rio, 1999 .</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>procura-se</title>
      <description>disse que o que nos unia era vermelho e viscoso.
depois sumiu sem deixar o endere&#231;o.

eu fiquei com o vermelho no peito, o viscoso na boca e esse texto que sobreviveu a duas enchentes. ent&#227;o, eu desvirgino a bagatela publicando um trunfo do nosso repert&#243;rio particular, gravado h&#225; algum tempo e escrito h&#225; mais tempo ainda.
vai ver algu&#233;m reconhece o cartaz de [procura-se].
vai ver algu&#233;m encontra a pista por a&#237;.

&lt;b&gt;. para alegrar cora&#231;&#227;o de mo&#231;a .&lt;/b&gt;

(...)
&#233; dali que se projetam os olhos:
confessando em disciplina precisa o pouco que lhes conv&#233;m,
eles aplicam sobre quem os mira
a sensa&#231;&#227;o de estranho deslumbramento t&#227;o cara
a certas qualidades de vir-a-ser, de vibra&#231;&#227;o interior, de assombro e desvario.
seus olhos n&#227;o se rendem ao v&#237;cio precipitado de uma psicologia dos sentidos
nem sucumbem a qualquer estudo invasivo.</description>
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      <pubDate>Mon, 07 Aug 2006 23:31:35 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-08-07</dcterms:created>
      <link>http://bagatela.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>. leandro . </dc:creator>
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eu fiquei com o vermelho no peito, o viscoso na boca e esse texto que sobreviveu a duas enchentes. ent&#227;o, eu desvirgino a bagatela publicando um trunfo do nosso repert&#243;rio particular, gravado h&#225; algum tempo e escrito h&#225; mais tempo ainda.
vai ver algu&#233;m reconhece o cartaz de [procura-se].
vai ver algu&#233;m encontra a pista por a&#237;.

. para alegrar cora&#231;&#227;o de mo&#231;a .

(...)
&#233; dali que se projetam os olhos:
confessando em disciplina precisa o pouco que lhes conv&#233;m,
eles aplicam sobre quem os mira
a sensa&#231;&#227;o de estranho deslumbramento t&#227;o cara
a certas qualidades de vir-a-ser, de vibra&#231;&#227;o interior, de assombro e desvario.
seus olhos n&#227;o se rendem ao v&#237;cio precipitado de uma psicologia dos sentidos
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